Novas regras de imigração anunciadas por Kosovo irritaram os sérvios que vivem no país
Uma disputa sobre regras de imigração está elevando a tensão entre os governos da Sérvia e de Kosovo. A nova crise já é vista com preocupação ao redor da Europa.
O ponto central da disputa é a decisão do governo kosovar de exigir de todas as pessoas que entrem no país com documentos sérvios que obtenham uma identidade temporária, emitida por Kosovo, e que será válida por três meses.
Outra medida obrigará os donos de veículos com placas emitidas pela Sérvia a trocar as identificações por placas emitidas por Kosovo — oficialmente, as placas sérvias já eram consideradas ilegais pelo país, mas elas eram toleradas em quatro cidades onde há presença considerável de sérvios kosovares. A mudança precisaria ser feita até o fim de setembro.
As duas novas regras passariam a ser aplicadas a partir desta segunda-feira, 1º. Isso gerou reação dos manifestantes, que bloquearam estradas e construíram barricadas. Dois postos de fronteira com a Sérvia foram fechados por razões de segurança.
No começo da noite do domingo 31, o governo de Kosovo anunciou que vai adiar, por um mês, as novas regras, um movimento elogiado pelo chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell.
“Questões em aberto devem ser resolvidas através do diálogo, para uma ampla normalização das relações entre Kosovo e Sérvia, essenciais para os caminhos de integração da UE”, escreveu Borrell, no Twitter. Ele disse esperar ainda que todos os bloqueios de estradas sejam removidos.
A Sérvia se recusa a reconhecer a independência de Kosovo, a mesma posição da Rússia, e atua para defender a minoria sérvia em território kosovar, que corresponde a cerca de 5% da população, de 1,8 milhão de pessoas. Negociações vêm sendo realizadas desde 2011 entre Belgrado e Pristina, com mediação da UE.
Em comunicado, emitido ontem, a missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte em Kosovo, informou estar pronta para intervir “caso seja necessário”. No texto, a aliança militar afirma que “tomará as medidas necessárias para garantir um ambiente seguro em Kosovo em todos os momentos”, e defende a ideia de que os dois lados continuem a dialogar.
Hoje formada por 3,7 mil militares, a força está presente em Kosovo desde junho de 1999, quando chegou ao fim a guerra de Kosovo.

Fonte: R7 – Revista Oeste Foto: Reprodução
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